Perdemos Luís Moita

por Mário Tomé

Perdemos Luís Moita, um grande intelectual empenhado nas lutas mais avançadas do nosso povo: a luta antifascista, a luta revolucionária no PREC, a candidatura de Otelo à Presidência e como dirigente principal dos GDUP.

Sempre empenhado na defesa dos povos contra o imperialismo e o colonialismo, como dirigente do CIDAC e no apoio activo à FRETILIN na luta heroica pela independência contra o invasor indonésio.

Um cidadão exemplar cuja presença e acção nos vão faltar mas que permanece para sempre como referência ética na defesa activa dos mais avançados ideais que inspiraram a revolução de Abril e a luta revolucionária que se lhe seguiu.

Mário Tomé


Luís Moita faleceu aos 83 anos, sábado passado. Foi um dos protagonistas da vigília da Capela do Rato, em 1972, e um estudioso da guerra e da paz, que cooperou com os países africanos. O sociólogo, que se doutorou em Ética pela Universidade Lateranense, em Itália, em 1967, foi sacerdote católico, pároco em Marvila – Lisboa, e um opositor ativo contra a guerra colonial e a ditadura, motivo pelo qual foi preso político em Caxias.

Luís Moita foi vice-reitor e membro do Conselho Científico da Universidade Autónoma de Lisboa, professor catedrático de “Teorias das Relações Internacionais”, diretor do Departamento de Relações Internacionais, e orientou durante largos anos a unidade de investigação OBSERVARE – Observatório de Relações Exteriores.

Um dos mais proeminentes dinamizadores da candidatura Otelo à Presidência, liderou os GDUP e foi dirigente do CIDAC.

Morreu um combatente pela paz, pela liberdade e pela justiça social. A nossa homenagem.

Luís Moita à saída da prisão de Caxias, na madrugada da libertação dos presos políticos antifascistas (27 Abril 1974)

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