Pela soberania da Venezuela contra o imperialismo norteamericano

por Manuel Carlos Silva

O sequestro do Presidente da Venezuela Nicolas Maduro e sua esposa Célia Flores, sob comando do governo Trump na noite de 3 de Janeiro de 2026, é um ato de terrorismo de Estado e de ingerência imperialista inaceitável sobre a Venezuela como país soberano. Contrariamente à narrativa de se ter tratado de uma operação policial limpa, este brutal ato imperialista, para além da captura do Presidente da Venezuela e sua esposa, está manchado sangue, tendo provocado dezenas de vítimas militares e civis e a destruição de infraestruturas.  

Este ato é levado a cabo sob o pretexto de que Nicolas Maduro seria o chefe de um cartel de tráfico de droga, mas, tal como o próprio Trump reconhece de modo descarado, na primeira declaração após o sequestro, que o seu objetivo é “governar a Venezuela” e explorar seus recursos petrolíferos e outras matérias primas.

Independentemente das diferenciadas posições sobre o regime venezuelano, nomeadamente em relação aos resultados das últimas eleições em que tão pouco foi comprovada a vitória de Edmundo Gonzalez e muito menos as farsas proclamatórias anteriores em torno de Juan Gaidó, este ato vil e brutal constitui uma violação grosseira do direito internacional e da carta das Nações Unidas. Na sequência de inúmeras intervenções e inclusive golpes de Estado, nomeadamente desde 1947 até ao presente, em inúmeros países da Ásia, da América Latina, da África e do Médio Oriente, esta ingerência tem a particularidade de se enquadrar e recuperar a velha doutrina Monroe que assume que o Canadá e os países da América Latina ficariam sob a alçada dos Estados Unidos. E é nesse sentido que Trump não se inibiu no quadro da invasão da Venezuela de proclamar os próximos países a ser recolonizados, nomeadamente Cuba, Colômbia, México, entre outros.   

Enquanto na grande parte dos países do Sul Global e, em particular, dos BRICS este ato é veementemente condenado, os países europeus, salvo honrosas excepções como a Espanha, mantêm posições de vassalagem e subserviência à superpotência norteamericana e não tomam uma posição firme de condenação desta agressão à Venezuela, sabendo inclusive da declarada ameaça de anexação da Gronelândia por parte do governo Trump.  

Mais triste e vergonhosa foi a posição do governo português, nomeadamente de Paulo Rangel como Ministro dos Negócios Estrangeiros, que relevou os ‘aspetos benignos desta operação’.  Ora, Paulo Rangel nem sequer respeita o próprio articulado da Constituição da República Portuguesa (CRP) que preconiza o respeito pela soberania e os direitos dos povos e a eliminação de todas as formas de dominação nas relações entre os Estados, nomeadamente no seu artigo 7º:  “Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade”.

Manuel Carlos Silva

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