Vivemos um tempo perigoso.
Um tempo em que o direito internacional é rasgado e a Carta das Nações Unidas é ignorada. A crise do sistema capitalista, em particular nos Estados Unidos, arrasta o mundo para a guerra, que volta a ser apresentada como solução política.
A invasão da Venezuela pela administração Trump não é um ato isolado nem uma excentricidade. É parte de uma estratégia imperial clara: manter a hegemonia do dólar — contra tudo e contra todos — no comércio e no mercado mundial, e controlar os recursos naturais, em particular os hidrocarbonetos. Os Estados Unidos não hesitam em ameaçar, intervir militarmente e invadir outros povos, violando as suas soberanias e lançando o mundo no caos para impor a sua “nova ordem” internacional: a chamada pax americana.
Decidir o próprio destino, escolher livremente governos e dirigentes, sem ingerências externas, é um direito inalienável dos povos.
A soberania e a autodeterminação não podem ser relativizadas. Qualquer apreciação que possamos fazer sobre o regime venezuelano e os seus governantes nunca poderá justificar a violação da soberania do país, nem condicionar a nossa posição face à agressão militar perpetrada pelos EUA.
A nossa solidariedade com o povo venezuelano é total. Condenamos os bombardeamentos, o rapto de Nicolás Maduro e de Cília Flores e exigimos a sua libertação imediata. A luta pela liberdade e emancipação dos povos dizem-lhes exclusivamente respeito.
O risco de guerra generalizada cresce como não acontecia há décadas
As ameaças contra países da América Latina que recusam submeter-se ao diktat dos Estados Unidos — México, Colômbia, Cuba, Brasil —, a intenção assumida de ocupar a Gronelândia, as pretensões sobre o Canadá e as incursões em África revelam até onde vai esta escalada. A chantagem militar tornou-se instrumento normal da política externa norte-americana.
Assistimos à condenação seletiva da invasão da Ucrânia pela Rússia e, ao mesmo tempo, à cumplicidade ativa do chamado Ocidente com a destruição de Gaza pelo Estado de Israel, apoiado financeiramente e em armamento pelos EUA e por países da União Europeia. O critério não é o direito internacional: são os interesses. Mudam os interesses, mudam os argumentos.
A União Europeia, os seus governos e a NATO
A hipocrisia é total. A União Europeia, os seus governos e a NATO, alinhados com os Estados Unidos, promovem o armamentismo, prolongam conflitos e descredibilizam a paz como caminho e como estratégia política. Falam de valores enquanto alimentam a guerra.
Hoje, a contradição é ainda mais profunda. Os Estados Unidos, principal aliado da União Europeia, tornaram-se também uma ameaça direta à sua integridade territorial ao reivindicarem a Gronelândia. E perante isto, o que fazem os líderes europeus e o Governo português? Curvam-se. Invocam o direito internacional, mas recusam condenar a política agressiva e terrorista da administração Trump. Agem como vassalos.
Dizem acreditar que o reforço da presença militar da NATO na Gronelândia irá travar os EUA. Enganam-se. A NATO atua em função dos interesses de quem a lidera, e o objetivo é claro: a apropriação dos recursos naturais do Ártico. O direito internacional não conta quando confrontado com a lógica imperial, que não admite partilha de recursos estratégicos.
A luta contra a guerra é inseparável da luta contra a guerra social
A preparação da guerra caminha lado a lado com a guerra social imposta aos povos. As economias de guerra traduzem-se em ataques aos direitos laborais, cortes no Estado social e transferência massiva de recursos públicos para o rearmamento e para a NATO.
O Governo português, que aumentou exponencialmente — em cerca de 63% — os gastos militares para a NATO e apoia a agressão à Venezuela e o genocídio do povo palestiniano, é o mesmo que ataca os direitos e as conquistas dos trabalhadores em Portugal.
Mobilizar a sociedade é urgente. Mobilizar para a paz, contra a guerra e contra a submissão dos governos europeus aos interesses imperiais dos Estados Unidos. A participação de Portugal na NATO tem de ser questionada. Não há paz nem autonomia com a integração numa aliança militar subordinada aos EUA, que recorre à chantagem militar para impor interesses unilaterais.
Mobilizar e organizar: preparar o encontro internacional de 20 de junho, em Londres
Uma política consequente pela paz exige uma opinião pública ativa, informada e mobilizada contra o imperialismo, contra a militarização e contra a lógica de blocos que empurra o mundo para o conflito.
O encontro internacional convocado pelo movimento britânico Stop the War, a 20 de junho, em Londres, é um passo importante para a convergência dos movimentos europeus contra a guerra. Em Portugal, todas as iniciativas pela paz devem ser apoiadas, participadas e reforçadas.
Porque não aceitamos que nos roubem o futuro em nome da guerra.
Porque recusamos pagar a crise deles com as nossas vidas.
NEM UM CÊNTIMO,
NEM UMA ARMA,
NEM UMA VIDA PARA A GUERRA!
Jan.2026

