VOTAR SEGURO CONTRA VENTURA
O resultado da primeira volta das eleições presidenciais de 2026 é claro. Deu a vitória ao candidato António José Seguro, com 31,11% dos votos validamente expressos (faltam apurar os votos em quatro consulados).
O candidato da extrema-direita (23,52%) procura agora esconder o facto de não ter alcançado os seus objetivos — nomeadamente não ter sido o mais votado — apresentando-se como o “líder da direita”. Substitui a ambição falhada de vitória na primeira volta por ter ganho aos restantes candidatos da direita.
Seguro é, de facto, o único candidato a superar as expectativas, ficando mais de 7 pontos percentuais à frente do candidato da extrema-direita.
O candidato da AD e do Governo (11,3%) pagou o preço da sua submissão a uma política que ataca o Serviço Nacional de Saúde, tenta impor um Pacote Laboral regressivo e que teve de enfrentar uma Greve Geral que uniu trabalhadores das duas centrais sindicais, sindicatos independentes e movimentos sociais. Foi derrotado pela política do seu próprio Governo e por ter surgido como representante da promiscuidade entre política e negócios.
As candidaturas da IL (16%) e de Gouveia e Melo (12,32%), apesar de terem ficado distantes da possibilidade de irem à 2ª volta, foram o destino de votos que, por diversas motivações, quiseram escapar às orientações de voto do “centrão” e/ou da extrema-direita e optaram por outras soluções fora daqueles espectros.
A esquerda (2,06+1,64+0,68+0,19=4,57%) enfrentou as consequências da incapacidade de apresentar uma alternativa com força social suficiente para afirmar um campo político ao longo da campanha. O defensismo que tem vindo a caracterizar estas forças políticas levou a que cada uma se encerrasse nos seus próprios e limitados redutos partidários, sem capacidade para afirmar um projeto político alternativo e credível e um candidato comum (1). O resultado foi o agravamento do descrédito e uma pressão previsível e intensa para o chamado “voto útil”, que a fragilidade dessas candidaturas não conseguiu contrariar.
Os resultados da primeira volta expressam a atual volatilidade das opções políticas dos eleitores, o descontentamento com as políticas do Governo e a disponibilidade para procurar novas respostas ao agravamento da situação social e das condições de vida.
O voto na segunda volta
A esquerda existe para defender direitos, democracia, soberania, justiça social, paz, natureza e futuro. A esquerda não existe apenas para “evitar o pior”.
A Rede Ecossocialista afirma, sem ambiguidades, o combate ao projeto da extrema-direita, racista, autoritário e antidemocrático; defende a Constituição, os direitos laborais, o Estado social e as liberdades fundamentais; rejeita a predação ambiental e ecológica, o belicismo, a escalada militar e a submissão a estratégias imperiais. A crise do capitalismo neoliberal procura socorrer-se da extrema-direita para absorver a revolta e sobreviver.
É essencial derrotar a extrema-direita e a direita que querem aproveitar um governo que se entende com a maioria no Parlamento para avançar rapidamente com reformas neoliberais extremadas. Com a presidência da República, o alinhamento institucional estaria completo para esse objetivo.
No alvo estão uma legislação laboral que favoreça mais o patronato, um SNS que ceda aos privados, uma Segurança Social que degrade as já baixas pensões e os direitos sociais em benefício das seguradoras e fundos de pensões, um pacote para a habitação compaginado com os interesses dos promotores imobiliários e grandes proprietários, uma fiscalidade que ponha os impostos ao serviço das grandes empresas e da finança. Uma revisão constitucional está também no horizonte.
A Rede Ecossocialista apela ao voto em António José Seguro no próximo dia 8 de fevereiro
É um apelo crítico, consciente e exigente. Não é um cheque em branco. É um voto que não se deixa iludir, porque a luta vai ter de continuar. É um apelo que exige compromissos claros: respeito pela Constituição; defesa dos direitos sociais, laborais e democráticos; rejeição do racismo, do autoritarismo e da política do medo; uma política externa de paz, contra a militarização e à altura da emergência climática.
O essencial não termina no voto
A democracia não se esgota nas eleições. A mobilização social, a organização popular e as lutas sociais continuam antes e depois do dia das eleições. No imediato, em primeiro plano está a luta pela rejeição do Pacote Laboral neoliberal.
A força da esquerda está na sua autonomia, na coerência e na capacidade de mobilização popular e social para uma alternativa real. A esquerda não pode ser o “seguro de vida” do centro liberal. É urgente que encontre novas respostas políticas que tragam de novo sentido de classe, ligação ao povo e aos movimentos, radicalidade das propostas e horizonte de futuro.
Defender a democracia não é apenas impedir retrocessos. É conquistar mais direitos, mais igualdade, mais soberania, mais paz e mais justiça ambiental. É enfrentar o poder do imperialismo e da NATO, dos interesses económicos e o império dos hidrocarbonetos.
A Rede Ecossocialista defende:
Votar Seguro para travar a extrema-direita!
Votar Seguro e continuar a lutar!
22 de Janeiro de 2026
A Direção da Rede Ecossocialista
(1) – Ver comunicado da Rede Ecossocialista em outubro de 2025 sobre situação política e presidenciais em https://redecossocialista.blog/2025/10/02/o-governo-tem-de-ser-confrontado-com-forte-mobilizacao/

