Comunicado da Coordenadora da Rede Ecossocialista da Área Metropolitana de Lisboa
Todas as capacidades de resposta da Proteção Civil estavam em alerta perante o anúncio da tempestade Kristin que avançou sobre o nosso território na madrugada de 28 de Janeiro.
Mas a natureza não perdoa e atingiu como nunca populações e infraestruturas. Perante a razia, a Proteção Civil fez o que pôde, apoiada como sempre pelo empenho e generosidade das populações.
As Forças Armadas, em especial o Exército, fora de qualquer estratégia de Defesa Civil, ficaram a aguardar que as chamassem. O sistema de comunicações de emergência, o SIRESP, voltou a ter falhas, situação grave que se arrasta há anos.
Nesta, como noutras situações de crise, importa questionar: porque não foi organizada uma resposta eficaz, no âmbito da Proteção Civil, ou seja, no âmbito da proteção de vidas, infraestruturas e bens, e deixaram milhares de pessoas sem eletricidade, água, comunicações e apoio durante dias?
O que é preciso que mais aconteça para se avançar para uma estrutura robusta de defesa civil, organizada e hierarquizada, com meios humanos formados nessa área, com equipamentos ao nível da complexidade das respostas que cada vez mais vão ser necessárias, tanto nas catástrofes como na proteção quotidiana do nosso território?
A questão de fundo que as situações de catástrofe colocam reforçadamente, desde sempre, com toda a pertinência e urgência, desde incêndios como os de Pedrógão, passando pelo Apagão recente, à atual catástrofe, é que a Proteção Civil deve ser a primeira prioridade em questões de Defesa, defesa de pessoas e bens, Defesa Civil, e não pode nem deve ser encarada secundariamente como sempre aconteceu e continua a acontecer, face a uma “Defesa Nacional” virada para o armamentismo e o fomento da guerra por potências estranhas aos interesses do povo português.
Agora, perante o crescendo das consequências das alterações climáticas, que, face à capitulação aos poderes assassinos do armamentismo, deixaram sequer de ser tidas em consideração, ainda mais a Defesa Civil tem de ser encarada como prioridade absoluta.
No século 21, não faz sentido agregados habitacionais, ao fim de vários dias, continuarem sem comunicações, sem eletricidade e sem água. É inadmissível que não tenha havido uma coordenação nacional que mobilizasse toda a capacidade instalada, inclusive a das empresas privadas, e distribuísse de imediato técnicos e máquinas para resolver as situações mais urgentes, coberturas para os telhados, máquinas pesadas para desobstruir estradas e remover escombros, geradores, combustíveis, alimentos, comunicações, etc.
Perante a emergência, só um governo inapto, incapaz e fora da realidade humana não tomou de imediato todas as medidas necessárias para repor o mínimo, para restabelecer as melhores condições de vida nas circunstâncias de uma catástrofe.
Apresentamos a nossa solidariedade com as populações atingidas e às famílias e amigos das vítimas.
A Coordenadora da Rede Ecossocialista da Área Metropolitana de Lisboa
1 de Fevereiro de 2026

