Movimento “Aeroporto Fora – Lisboa Melhora” convocou uma concentração pela construção urgente do novo aeroporto (no Campo de Tiro de Alcochete), contra o atraso que a ANA/VINCI está a querer impor, em benefício próprio.

A empresa ANA – Aeroportos de Portugal, atualmente pertencente ao grupo francês Vinci Airports, controla a rede aeroportuária nacional, mais uma consequência das privatizações de infraestruturas estratégicas. A ANA recebeu em 2012–2013 uma concessão de cerca de 50 anos para gerir os aeroportos portugueses.
Nesse contrato ficou estabelecido que a própria concessionária seria responsável por desenvolver e construir o novo aeroporto da região de Lisboa quando a capacidade da rede o justificasse. E justifica-se, não só pela capacidade, mas igualmente pelos impactos nas populações – ruido, poluição, segurança, sobrecarga nas infraestruturas da cidade.
👉 Isto cria uma situação particular:
- o Estado decide a política aeroportuária,
- mas quem constrói e explora é a concessionária privada.
O Governo anunciou que o novo aeroporto da região de Lisboa (em Alcochete, chamado Aeroporto Luís de Camões) deveria abrir por volta de 2034, mas a ANA apresentou estimativas mais tardias, apontando para 2036–2037.
Especialistas afirmam que é possível antecipar a abertura, criticando o calendário da concessionária. A Comissão Técnica Independente ue analisou a nova localização para o aeroporto prevê que é possível construir o novo aeroporto até 2030.
Qual a vantagem da ANA em atrasar o novo aeroporto?
- a expansão do aeroporto atual de Lisboa é mais lucrativa no curto prazo para a concessionária – a ANA pratica taxas aeroportuária elevadas – do que investir rapidamente numa nova infraestrutura;
- por isso o interesse da ANA em adiar a construção do novo aeroporto.
Esta é um dos problemas da privatização da ANA: deu grande poder estratégico a uma empresa privada sobre a política aeroportuária nacional.
O Governo pode estar deliberadamente a atrasar o projeto para favorecer a concessionária, quando o ministro das Infraestruturas afirmou que está disponível para negociar com a ANA o prolongamento do prazo para conclusão do novo aeroporto.

