Comunicado da Coordenadora do Núcleo da Área Metropolitana de Lisboa da Rede Ecossocialista
Dia 2 de Abril de 1976 foi aprovada a Constituição da República Portuguesa, terminando de vez com o código jurídico da ditadura fascista e com o colonialismo; com a independência das colónias, consagrou a liberdade, novos direitos sociais, a segurança social, e novos direitos laborais – o direito a salários dignos, contratação coletiva, segurança no emprego, os direitos à habitação, à saúde e à educação públicas, e os direitos para as organizações dos trabalhadores: comissões de trabalhadores e sindicatos.
Uma Constituição a favor da paz, justiça, e o direito à insurreição contra a opressão dos povos, contra os blocos imperialistas e a guerra social a que os povos estão a ser sujeitos.
Apesar das várias revisões constitucionais, a nossa Constituição continua a ser das mais progressistas, por isso a extrema-direita parlamentar querer iniciar uma nova revisão constitucional para impor a sua visão de uma sociedade autoritária e antidemocrática.
É verdade que esta Constituição não é como os ecossocialistas defendem, dando maiores poderes aos trabalhadores, aumentando as liberdades e a democracia, colocando o aparelho produtivo sobre o controle dos trabalhadores e do Estado e defendendo uma relação equilibrada entre o ser humano e a natureza, combatendo o extrativismo e o fóssil, defendendo o ambiente.
Mas mesmo assim, na atual correlação de forças, ela é uma trincheira de resistência na defesa dos direitos adquiridos, por isso, nos tempos que correm, somos contra qualquer revisão constitucional pois só serviria a direita e a extrema-direita, o ódio e a discriminação, retrocedendo nos direitos e liberdades, impondo o primado do mercado e do neoliberalismo capitalista.
Falta ressaltar que só houve um partido que votou contra a Constituição. O CDS!!
No mesmo dia, de forma cobarde, os terroristas fascistas, organizados pelo segurança do deputado do CDS, Galvão de Melo, organizados numa das organizações terroristas da extrema-direita, fizeram explodir uma bomba na viatura onde seguiam o Padre max e Maria de Lurdes. Os amigos do CDS comemoravam assim o voto contra a versão final da Constituição!
O assassinato à bomba do Padre Max e da estudante Maria de Lurdes, que em Via Real pregava o evangelho dos pobres, dava alfabetização numa das aldeias, era candidato a deputado pela UDP.
Esta bomba que deflagrou no fim das aulas de alfabetização matou um padre que num comício da UDP declarou que seria candidato a deputado pela UDP porque no Evangelho está escrito que Jesus Cristo afirmou que “é mais difícil um rico entrar no reino dos céus do que um camelo passar pelo buraco de uma agulha”. Morreu porque ergueu a voz “contra os vendilhões do templo”, e contra os que “adoram bezerros de ouro”. Ele opunha-se à hierarquia que nunca fala destas partes do Evangelho.
Defendemos a Constituição e honramos um padre verdadeiramente cristão, que defendia os pobres e a emancipação dos povos!
Rede Ecossocialista da Área Metropolitana de Lisboa

