Após as tragédias das tempestades, das guerras e agora de uma onda de calor, o aumento em flecha do custo de vida marca a gestão governamental da AD que agrava as desigualdades sociais, a precarização do trabalho e a degradação ambiental. A Rede Ecossocialista manifesta todo o apoio à greve geral convocada pela CGTP-IN e sindicatos independentes, com o apoio de múltiplos movimentos sociais, para o próximo dia 3 de junho.
A força demonstrada na greve geral de 11 de dezembro de 2025 obrigou o Governo a encenar um simulacro de negociações para tentar ganhar tempo e pressionar as centrais sindicais. Na concertação social, a proposta do Governo, com as suas “traves-mestras” que considerou inegociáveis, só recolheu o apoio das associações patronais. Apostado numa maioria de direita/extrema-direita, o Governo enviou para o Parlamento a sua proposta.
As consequências antilaborais das alterações pretendidas na legislação laboral são graves. Sob o pretexto da modernização e da flexibilização do mercado de trabalho, aprofunda a precariedade, os despedimentos ilícitos, fragiliza a contratação coletiva, agrava a caducidade das convenções e o tratamento mais favorável e aumenta a desregulação dos horários.
Governo e patronato querem uma reforma laboral para aumentar a produtividade, mas o problema real está na falta de investimento na modernização da economia e na adaptação às alterações climática. O problema não está nos trabalhadores, que cada vez são mais qualificados. O verdadeiro objetivo é diminuir a capacidade de proteção dos trabalhadores perante a instabilidade económica e social provocada pela crise neoliberal. Trata-se de mais um passo na transferência de recursos e de poder para os grandes interesses económicos, agravando desequilíbrios já profundamente injustos.
Os trabalhadores e trabalhadoras já hoje são confrontados com baixos salários, perda de poder de compra, horários desregulados e crescente insegurança laboral. Persiste a degradação do SNS, da escola pública e a ausência de soluções para a especulação imobiliária que ataca o direito à habitação, enquanto persistem políticas que favorecem a financeirização da economia e a mercantilização dos serviços públicos essenciais. Simultaneamente, as populações mais vulneráveis são também as mais expostas aos impactos ambientais, aos incêndios rurais, às ondas de calor, à degradação dos territórios e à perda de qualidade de vida.
Vivemos um tempo marcado pela concentração da riqueza, pela erosão dos direitos laborais e pela exploração intensiva dos recursos naturais em benefício de um modelo económico insustentável. A crise climática, a destruição dos ecossistemas e a crescente vulnerabilidade social são consequências diretas de uma lógica produtivista que coloca o lucro acima da dignidade humana e dos limites ecológicos do planeta.
A luta por justiça social e laboral é inseparável da luta por justiça climática. Defendemos uma transição ecológica justa, que garanta emprego digno, serviços públicos fortes, mobilidade sustentável, soberania energética e valorização dos territórios rurais, sem deixar ninguém para trás. A transformação necessária da economia não pode ser feita à custa dos trabalhadores, mas antes com o seu protagonismo e participação democrática.
A greve geral de 3 de junho constitui um importante momento de convergência das lutas sociais, laborais e ambientais. É um apelo de luta cidadã e coletiva de construção de um modelo de desenvolvimento assente na democracia, nos direitos sociais e laborais, de solidariedade, igualdade, sustentabilidade e no respeito pelos limites ecológicos.
Apelamos à participação de todos os trabalhadores e trabalhadoras, jovens, estudantes, movimentos sociais, cidadãs e cidadãos comprometidos com um futuro mais justo e sustentável que passa agora pela derrota do pacote laboral.
Pelo direito ao trabalho digno. Contra a precariedade e o retrocesso laboral. Pela justiça climática. Por serviços públicos fortes. Por uma sociedade ecossocialista, democrática e solidária.
26.maio.2026
A Direção da Rede Ecossocialista

