Na Escola dos Directores haverá lugar à esquerda?

Desde logo, porque o peso das autarquias no Conselho Geral é determinante e condiciona o voto das instituições suas subsidiárias. A municipalização já está instalada. Desconheço um Director que tenha sido eleito ao arrepio do poder autárquico. Ao invés, conheço quem tenha sido destituído por incompatibilidade com o partido hegemónico na localidade. A crescente dependência das escolas face aos municípios só virá acentuar esta politização, o Director será cada vez mais um cargo de nomeação política. De resto, a subserviência política do cargo pode ser, particularmente, notória em momentos de crise. Lembro-me sempre daquele Director, ex-assessor de um presidente de câmara de esquerda, substituído, no espaço duma tarde, por uma conselheira nacional de um partido de direita acabado de chegar ao governo. Continuar a ler Na Escola dos Directores haverá lugar à esquerda?

A imprevisibilidade de um facto social total: a Covid-19 e a ação humana na incerteza – por Ivonaldo Leite e Paulo Santana

De toda forma, por mais que o cenário pós-COVID-19 seja turvo, há uma esfera fundamental que tem imprescindíveis contributos a aportar na sua superação: a do conhecimento. E nela a instituição universitária tem um papel central a desempenhar, como instância responsável pela produção e difusão do conhecimento sistemático-reflexivo. Numa altura em que jogos do poder  cachoam sob o embalo das fake news, repor a razão discursiva é condição necessária para uma sociabilidade sadia que almeja uma sociedade emancipada da ignorância e manipulação. Continuar a ler A imprevisibilidade de um facto social total: a Covid-19 e a ação humana na incerteza – por Ivonaldo Leite e Paulo Santana

Primeiro de Maio: presentes! – por Nélson Silva*

As comemorações do Primeiro de Maio soltaram uma acirrada onda de críticas, expondo muitas vezes a ignorância de muitos comentadores sobre as condições em que nós, os trabalhadores que têm assegurado serviços fundamentais, continuámos sempre a trabalhar desde o início da crise, e também um indisfarçável preconceito contra a ação sindical e a importância de assinalar este dia. Na minha empresa, apesar da luta que … Continuar a ler Primeiro de Maio: presentes! – por Nélson Silva*

Da sobreprodução teórica à subprodução estratégica da esquerda

Outra maneira de fazer política passará por procurar formas de refazer partidos ou movimentos de massas num processo que trate de integrar democraticamente as próprias massas no processo de elaboração, de protagonismo e de acção política, de maneira a que as estruturas mediáticas e institucionais dos mesmos represente realmente grupos sociais cada vez mais amplos. O que deverá ser específico à esquerda é a sua ligação estrutural e orgânica às lutas sociais. Nesse sentido, é importante não pensar a luta social como um fenómeno que surge de forma mais ou menos espontânea ou inorgânica na sociedade, tendo os partidos de esquerda que dar uma resposta institucional ao que esta exige. A luta política e institucional é somente um dos flancos da luta pela hegemonia, isto é, pelo poder e pela transformação social. Continuar a ler Da sobreprodução teórica à subprodução estratégica da esquerda

1º de Maio de 2020 – novos moldes, a mesma luta de sempre

Ao longo destes dias, vimos ovações aos profissionais da saúde, aos trabalhadores envolvidos na entrega e comercialização de bens essenciais, aos professores, etc. São os mesmos profissionais que, ano após ano, são desvalorizados e ridicularizados nas suas lutas por um trabalho com melhores condições (inclusive por muitos que agora os aplaudem). Muitos no país tiveram um especial cuidado em lembrar os trabalhadores precários, sobretudo empregados … Continuar a ler 1º de Maio de 2020 – novos moldes, a mesma luta de sempre

1º de Maio: A luta global – por Miguel Vital*

Os trabalhadores não se podem descuidar. Têm que lutar pela democracia, pelos seus direitos de cidadania, contra as pulsões securitárias que agitando medos e fantasmas pretendem anular direitos, atentar contra as liberdades para impor o pensamento único de que não há alternativas.
Os que não gostam do 25 de Abril também não gostam do 1º de Maio. Desiludam-se pois, todos quantos querem esvaziar e anular o sentido duma luta tão global como esta. O 1º de Maio significa uma luta com passado, com presente e com futuro. Continuar a ler 1º de Maio: A luta global – por Miguel Vital*

“Antes morrer de pé do que viver toda a vida de joelhos”

Já não sei exactamente a partir de que altura do ano surgiu, mas ainda hoje guardo com respeito e admiração a imagem de um professor de fato, camisola de gola alta, tudo em tons cinzentos, e cabelo muito bem penteado, para o grande, “por cima das orelhas” como diria o meu pai na sua visão militarista da vida e dos costumes. Continuar a ler “Antes morrer de pé do que viver toda a vida de joelhos”

O cultural no mundo que há-de vir – por António Pinto Ribeiro*

Um dos aspectos positivos desta vivência da pandemia foi entender como a autonomia de organizações face às iniciativas governamentais, por momentos libertas dos condicionalismos administrativos, produziu outras experiências criativas, imaginativas, eficazes, mostrando como há outras camadas de participação e de colaboração mais produtivas. Ninguém sabe como será o mundo pós-pandemia. O optimismo de uns e o pessimismo de outros condicionam as projecções sobre o mundo … Continuar a ler O cultural no mundo que há-de vir – por António Pinto Ribeiro*