Mulheres conservadoras recorrem a teorias pouco imaginativas…

Num recente trabalho jornalístico publicado no Expresso (14/08/2026) com o título, “Mulheres conservadoras criam movimento com aval do Chega”, são expostas as ligações entre este partido da extrema-direita e a colaboração com o bolsonarismo e igrejas evangélicas, através de deputadas e comentadoras do Chega, incluindo deputada federal do PL brasileiro.

Tendo em comum teorias fascizantes e pouco imaginativas, ainda que, exijam o adequado combate político, mesmo quando tentam branquear ideias de retrocesso civilizacional, em nome de argumentos racistas e xenófobos, quando afirmam cinicamente, que: “Aquilo que defendemos é que os princípios civilizacionais que moldaram a cultura portuguesa e europeia, muitos deles de matriz judaico-cristã, continuam a ter um contributo relevante para a forma como entendemos a dignidade humana, a família, a responsabilidade e a liberdade”, afirmam, para tentarem passar a mensagem das mulheres conservadoras, igualmente portadoras de intolerância e ódio, tal a sua relação umbilical à extrema-direita.

As teorias sobre a família, questionando conquistas e direitos sobre emancipação da mulher a exemplo do aborto, ou em nome de eventual perda de espaço para as escolas da influência das mães na vida dos filhos, com que o recente movimento de mulheres conservadoras procura ganhar espaço político, sendo no essencial uma cópia da direita conservadora e extrema-direita parlamentar portuguesa, que conta ainda com a influencia bolsonarista, bem como a umbilical dimensão religiosa evangélica cada vez mais significativamente desmistificada politicamente no Brasil. São apêndices da corrente negacionista a que também por cá, deverá merecer atenção, desde logo, das comunidades escolares e educativas, para que não se abra caminho fácil à normalização de ideias que acabarão por negar o respeito pelo princípio da liberdade de aprender e ensinar, com tolerância para com as escolhas possíveis.

As inevitáveis tentativas de tais movimentos conservadores, para virem a influenciar documentos essenciais de gestão escolar, exigem das comunidades escolares, participação e debate democrático, contrastando com o inquietante défice a este nível que se vem assistindo em meio escolar, para que se manifeste ativa, a defesa da escola pública e da sua missão, nos termos da Constituição da República Portuguesa, em que o Estado tem a responsabilidade de promover a democratização do ensino, garantindo o direito a uma justa e efetiva igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolares, interligando o ensino com as atividades económicas, sociais, culturais e cientificas.

Porque ao “Estado não se pode atribuir o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas” (Lei de Bases Sistema Educativo). Mas a escola pública não pode ser deixada à mercê do medo, da intolerância, e da negação da diferença e da multiculturalidade, desvalorizando e descaracterizando a escola inclusiva.

São temas de cidadania e pedagógicos, que não são compatíveis com qualquer amorfismo ou afastamento das comunidades escolares e educativas na vida da Escola, hoje mais sujeita a ataques para o seu retrocesso, a exemplo das políticas educativas do Governo que vem deixando sinais de pouca tranquilidade para as escolas, quando olha para os diretores dos agrupamentos, como estando no cargo por nomeação, ou seja subordinados do Ministério da Educação, quando o cargo de diretor, resulta de um processo de concurso público, dirigido, organizado e escolhido pelo Conselho Geral (com representação dos vários elementos das comunidades escolares, educativas, locais e autárquicas), cuja lei, a este órgão de gestão, sim!, a lei dá a possibilidade de destituir o diretor. Sinais… 

José Carlos Lopes

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