por Maria Conceição Anjos
O que se passa, neste momento, no nosso país, ao nível da educação, parece uma comédia dos Monty Python.
Todos, mas mesmo todos, e refiro-me a alunos, famílias, docentes, sociedade em geral, sentem, não são perceções, que tudo o que podia correr mal, correu mal.
Desculpem, exige-se uma correção, parece evidente, exceto para o Sr. Ministro da Educação.
Numa primeira fase, Ministro, Primeiro-Ministro e todos os seus apaniguados começaram por disparar em todas as direções, os culpados eram os pais, as Direções, os Docentes, os Secretariados de Exames, o Júri Nacional de Exames, etc.
Quando as coisas começaram a complicar-se, chamaram a Deloitte, para ajudar a clarificar de quem era a culpa, o que tinha corrido mal neste processo de digitalização das provas e neste novo método de classificação das mesmas.
A aparente grande preocupação da tutela, explicitada à exaustão, era que nenhum aluno fosse prejudicado.
Adiados os prazos para a avaliação das provas, afixação das pautas, realização da segunda chamada, candidaturas ao ensino superior, chegámos, finalmente, ao dia D, 17 de julho.
De barriga ou de costas as pautas tinham de ser afixadas, o Sr. Ministro não podia perder a face, independentemente de o processo estar ou não concluído.
Assistimos então a tudo o que seria impensável, em qualquer época de exames, em qualquer escola deste país.
Pautas afixadas pela noite adentro, escolas abertas até à meia-noite de sexta-feira, e durante os dias de sábado e domingo.
Mas se tudo estivesse bem, enfim…
O pior é que não estava! Aliás, como era previsível.
Alunos com notas suspensas, alunos que ao receberem o PDF da sua prova, constataram que parte da mesma não era sua, questões de escolha múltipla incorretamente classificadas a pelo menos quatro disciplinas, Físico-Química, Geografia A, História A e Português Língua Não Materna. Isto para não falar das provas que ninguém encontra, nomeadamente de um aluno invisual e de uma aluna que realizou as provas na Região Autónoma da Madeira, o que impede a sua reapreciação.
Ou seja, aquilo que era o alfa e o ómega do Sr. Ministro, que nenhum aluno fosse prejudicado, e muito bem, culminou num pesadelo para alunos e famílias.
Neste cenário, não admira que os pedidos de reapreciação tenham disparado, que o número de alunos candidatos ao Ensino Superior, no primeiro dia, tenha caído drasticamente, que o número de alunos a realizarem a segunda fase de exames seja substancialmente superior ao esperado, tal o clima de suspeição que se instalou na comunidade escolar.
Cereja no topo do bolo, para o Sr. Ministro, este modelo é para continuar, pois é mais fidedigno, embora se tenham verificado alguns, poucos, constrangimentos.
Pergunta-se, porque é legítimo perguntar, quantos professores vão ser necessários para todas as reapreciações? Para classificar a segunda fase? Para preparar o novo ano letivo? Tudo isto, em simultâneo, com a necessidade de gozarem as tão merecidas férias.
Fernando Alexandre tem vindo a menosprezar tudo o que está a acontecer e parece que vai continuar nesta senda insana; pergunta-se, até quando?
Como corolário, sabe-se agora, que nas quatro disciplinas onde se registaram erros de classificação, nenhum aluno terá classificação inferior a 9,5 valores.
Onde está o rigor?
Por onde anda a igualdade?
Onde pára a equidade?
Tudo isto está ferido de morte, só não vê quem não quer ver!
Será que tudo isto é inocente? A quem interessa a descredibilização da Escola Pública?


