Que liberdade de voto é garantida nas próximas eleições nos EUA?

por José Carlos Lopes

Na ainda maior potencia mundial dita democrática, Estados Unidos, convive-se de forma surreal com um previsível novo ataque ao direito e liberdade de voto, quando se aproximam as eleições intercalares de 3 de novembro, em que as intenções de voto dão sinais claros e significativos de oposição às politicas suicidas e autocratas de Donald Trump e do Partido Republicano, que arrastam o país e o mundo para tragédias belicistas, expansionistas, saqueadoras de recursos naturais e sob ameaças violadoras de tratados e direito internacional. Não sendo novidade na sua história recente, tornam-se medievais em pleno século XXI, no seio do próprio país em que a democracia obedece ao “quero posso e mando” de um presidente.

Quando se teme, e são mesmo lançados alertas, sobre a probabilidade de Trump pôr em causa os resultados eleitorais, se estes não lhe forem favoráveis na Câmara dos Representantes; quando um tal processo eleitoral que elege ainda um terço do Senado, está sob o risco de condicionalismos que resultam da encenação de conspirações sobre uma hipotética fraude eleitoral, que significará não reconhecer uma possível maioria dos democratas; quando a teoria da conspiração com que o Presidente faz campanha serve para justificar a necessidade de um controlo federal das eleições, que começou por tentar restringir votos por correspondência; quando, ao mesmo tempo, promete pagar 5 mil dólares a cada cidadão americano se os republicanos vencerem as eleições.

Que país livre é este? Que país é este que, em nome da liberdade de outros povos e do seu “resgate” de ditaduras, ameaça, invade e derruba governos legítimos, só para abrir caminho ao domínio e exploração de recursos como o petróleo, deixando os povos à mercê de governantes corruptos e submissos aos interesses geoestratégicos dos EUA?

Trump repetidamente alimenta conspirações, até religiosas, com a ameaça de que, quem não votar vai para o inferno, ou teorias sobre eventuais agentes externos hostis, que possam manipular a máquina eleitoral. A possibilidade da presença de membros do FBI e do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) nos locais de voto – a tenebrosa e odiada polícia de métodos fascistas, já tem sido admitida.

Havendo ainda a inquietação sobre um tal Presidente, de, em desespero de causa, poder “decidir enveredar por um cenário de controlo absoluto das intercalares, declarando uma emergência nacional (…)”, com todas as suas consequências judiciais.

Com tudo isto, perante um tal cenário terceiro-mundista em que especialistas e ex-conselheiros admitem poder haver um plano para “roubar” eleições, quem garante a liberdade de voto nos EU?

Em causa está mesmo a liberdade de movimentos e de uma avaliação imparcial que, ao contrário de observadores internacionais mandatados pela ONU, estará limitada à habitual Missão de Observação Eleitoral (MOE), da Organização dos Estados Americanos (OEA), que deverá ter por missão, acompanhar o processo eleitoral nos EU e elaborar um relatório e eventuais recomendações.

Missão que não terá tarefa facilitada, mas que nem por isso se poderá sujeitar a qualquer ameaça intimidatória e muito menos submeter-se a chantagens megalómanas e ditatoriais em nome de uma peculiar democracia que exige ser resgatada, naturalmente, pelo povo americano.

José Carlos Lopes

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